PesquisaFase III INCT/CNPq - 2009 a 2014

FASE III INCT/CNPq - 2009 a 2014



COMISSÃO COORDENADORA DO INCT

Diretor - Eduardo Marques

COMISSÃO COORDENADORA DO INSTITUTO NACIONAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA

  • Antônio Sérgio Guimarães (Departamento de Sociologia, Universidade de São Paulo)
  • Celi Scalon (Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, Universidade Federal do Rio de Janeiro)
  • Eduardo Marques (CEM e Departamento de Ciência Política, Universidade de São Paulo)
  • Elisa Reis (Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, Universidade Federal do Rio de Janeiro)
  • Fernando Limongi (Cebrap e Departamento de Ciência Política, Universidade de São Paulo)
  • Marta Arretche (CEM e Departamento de Ciência Política, Universidade de São Paulo)
  • Nadya Araújo Guimarães (Cebrap e Departamento de Sociologia, Universidade de São Paulo)
  • Paula Montero (Cebrap e Departamento de Antropologia, Universidade de São Paulo)

Até 2014, posteriormente o CEM deixou de ser um INCT.


LINHAS DE PESQUISA

  1. Mercado, trabalho e oportunidades
    1. Superação das desigualdades ocupacionais - Coordenação: Nadya de Araújo Guimarães
    2. “Raça” e classe em contextos metropolitanos: análise das desigualdades e de seus enfrentamentos - Coordenação: Márcia Lima
    3. Territórios, dinâmica econômica e fluxos de conhecimento: comparações internacionais - Coordenação: Alvaro Augusto Comin   (Linha de pesquisa concluída)
  2. Condições de vida, Estado e políticas públicas
    1. Graus e formas de acesso aos serviços sociais pelas famílias pobres - Coordenação: Argelina Figueiredo
    2. Determinants of social services provision - Coordination: Marta Arretche
    3. Participação e políticas de saúde em São Paulo - Coordenação: Vera Schattan
    4. Política e comportamento eleitoral - Coordenação: Fernando Limongi
  3. Sociabilidade e vida urbana
    1. Redes sociais, sociabilidade e segregação - Coordenação: Eduardo Marques
    2. Organizações civis: intermediação, Estado e população carente - Coordenação: Adrian Gurza Lavalle
    3. Pobreza, desigualdade e sociabilidade - Coordenação: Ronaldo Almeida
    4. CEM Audiovisual - Coordenação: Henri Arraes Gervaiseau

Linha de Pesquisa 1: Mercado, trabalho e oportunidades

Subprojeto 1.1. : Superação das desigualdades ocupacionais - Coordenação: Nadya de Araújo Guimarães

Redes, ações afirmativas e inserção no mercado de trabalho

Coordenação: Nadya de Araújo Guimarães

Apesar do desenvolvimento de um robusto setor de intermediação de mão-de-obra orientado para oportunidades de alocação em empregos – uma nova tendência no mercado de trabalho brasileiro –, nossas pesquisas anteriores apontaram que os mecanismos ordinários se mostraram bastante infrutíferos como meios de combater a desigualdade e a pobreza em São Paulo. Em contraste, as redes sociais parecem ser o caminho pelo qual as pessoas comuns obtêm acesso ao emprego, a despeito da qualidade deste.

Dessa forma, o primeiro foco atual da área é explorar o efeito desses mecanismos privados extra-mercado como iniciativas importantes no sentido de elevar as chances que um indivíduo tem de se engajar no mercado de trabalho. O primeiro módulo nessa linha de pesquisa investiga a formação e a operação das redes pessoais, lançando mão de novas ferramentas metodológicas (análise de redes, ao invés de surveys, como na fase anterior) e intensificando o diálogo com os parceiros do CEM.

Por outro lado, esta linha de investigação também está comprometida com a análise do florescente conjunto de políticas compensatórias que ganhou o centro do debate brasileiro, desde 2000, como alternativas no combate à pobreza e/ou desigualdades raciais duradouras. A proposta deste projeto é se engajar nessa discussão trazendo dados novos sobre a efetividade de tais iniciativas. Um segundo módulo se encarrega de avaliar ações afirmativas recentes adotadas por prestigiosas universidades públicas no intuito de ampliar as chances ocupacionais dos negros e dos mais pobres, de forma a estimular sua mobilidade social. Cooperação internacional (com colegas dos Estados Unidos, Reino Unido, França e África do Sul) em breve permitirá comparar os resultados obtidos em São Paulo com as tendências observadas em outras grandes metrópoles.

Assim, o modulo 1 investiga as redes pessoais, que já se provaram efetivas para o engajamento no mercado de trabalho. Partindo de uma amostra de 1.549 que procuravam empregos já entrevistados em um survey representativo conduzido em 2004 na Região Metropolitana de São Paulo, o projeto selecionou uma sub-amostra de casos típicos, para uma nova rodada de entrevistas em profundidade. Os casos são escolhidos aleatoriamente usando tipologia construída por meio da técnica GoM (grade of membership, ou grau de pertencimento). Duas entrevistas estão sendo conduzidas com cada pessoa. A primeira detalha a trajetória ocupacional do(a) entrevistado(a) e identifica sua esfera de sociabilidade e pessoas-chave relacionadas a essas esferas; a segunda se destina a mapear as redes e interligar os ofertantes de emprego com as conexões pessoais.

Assim como nas fases precedentes, o diálogo nacional e internacional continua sendo buscado. No nível nacional, o módulo compara dados secundários (fornecidos por pesquisas domiciliares – PED e PME – realizadas nas mais importantes metrópoles), analisando séries longas de resultados referentes a mecanismos de acesso aos empregos e identificando padrões de variação em diferentes estruturas regionais de mercado de trabalho. No plano internacional, o engajamento anterior em redes de cooperação científica dá suporte para que se explorem as especificidades das tendências brasileiras. O diálogo com a pesquisa de Purcell (Koene e Purcell, 2004) sobre a intermediação na Europa tem apoio na cooperação que já se estabeleceu previamente entre o Departamento de Sociologia da USP, o Cebrap e o Institute for Employment Research, da Universidade de Warwick. Paralelamente, estamos buscando um intercâmbio complementar com colegas do Lasmas (Institut du Longitudinal, como Degenne e Marry, cuja produção no campo de redes e inserção no mercado de trabalho, na França, é notável, a exemplo de Degenne et al., 1991, e Degenne e Forsé, 1994); diferenças de gênero e de idade continuam a requerer a atenção intelectual, e nossa cooperação de longo prazo com os laboratórios franceses do CNRS, como o GTM (Genre, Travail, Mobilités) ou o Printemps (Professions, Travail, Identités), assegura a continuidade do engajamento de Helena Hirata e Didier Démazièere como parceiros internacionais. Esse módulo de pesquisa inclui ainda parceiros nacionais de outras instituições brasileiras como Elisa Reis (da Universidade Federal do Rio de Janeiro) e Guilherme Xavier sobrinho (da Fundação de Estatística do Estado do Rio Grande do Sul/FEE).

O módulo 2 segue o desempenho educacional (no nível superior) e a carreira profissional de indivíduos admitidos e não-admitidos nos programas de ação afirmativa conduzidos por duas universidade públicas brasileiras de prestígio. Uma delas, localizada em São Paulo, é nacionalmente reconhecida, recruta estudantes de todo o país e oferta profissionais também em escala nacional; uma segunda universidade é reconhecida regionalmente e se localiza na Região Metropolitana de Salvador. O projeto analisa três grupos experimentais: 1) postulantes de políticas afirmativas que não foram admitidos; 2) postulantes beneficiados por ações afirmativas que foram admitidos; e 3) postulantes pelos critérios tradicionais. O desenho de pesquisa tem três procedimentos: i) análise da trajetória pós-seleção dos não-admitidos (grupo 1); ii) comparação do desempenho educacional dos grupos 2 e 3, a partir de dados das próprias instituições; iii) comparação das trajetórias profissionais dos grupos 1, 2 e 3, a partir de entrevistas. Entrevistas complementares cruzadas com os pais serão realizadas para uma sub-amostra dos grupos 1 e 2.

Subprojeto 1.2. : “Raça” e classe em contextos metropolitanos: análise das desigualdades e de seus enfrentamentos - Coordenação: Márcia Lima

Análise das desigualdades e de seus enfrentamentos

Coordenação: Márcia Lima

Este projeto tem como objetivo elucidar as potencialidades analíticas da variável “raça” nas análises dos fenômenos de produção e reprodução da pobreza e da desigualdade, tema central das pesquisas desenvolvidas no âmbito do Centro de Estudos da Metrópole/Instituto Nacional de Estudos da Metrópole. Ele faz parte de uma agenda mais ampla de pesquisa que visa investigar os efeitos das mudanças na estrutura econômica e das políticas de combate às desigualdades na configuração das desigualdades raciais no Brasil, com particular interesse nos efeitos dessas transformações no mercado de trabalho.

Toma-se a primeira década deste século como escopo temporal uma vez que, nesses dez anos, a sociedade brasileira presenciou mudanças significativas no campo das desigualdades em geral e das desigualdades raciais em particular. Além disso, o país passou por fortes transformações econômicas como aumento da formalização dos empregos, crescimento real do salário mínimo. No caso do enfrentamento das desigualdades raciais, a implantação de políticas de ações afirmativas e o intenso debate acerca da sua pertinência no enfretamento das desigualdades de oportunidades no Brasil propiciaram o revigoramento do debate sobre raça e classe – mais especificamente no efeito do atributo “raça” na configuração das desigualdades sociais – nas Ciências Sociais e pela primeira vez entrou com grande espaço no debate público.

Pretende-se, então, enfrentar essa questão considerada crucial nos estudos sobre desigualdades raciais, as fronteiras entre “raça” e classe. Nesse sentido, as desigualdades raciais serão analisadas a partir de situações empíricas nas quais seja possível considerá-las como contextos similares de classe (como renda, educação, espaço). As situações seriam:

Contextos marcados pelo alto grau de pobreza e segregação espacial - O objetivo deste estudo será observar a pertinência analítica da variável “raça” em situações de elevada pobreza. Neste caso, a análise estará baseada na comparação entre os resultados de dados de dois surveys realizados pelas equipes do CEM-CEBRAP, no ano de 2006, um deles na “Cidade Tiradentes”, bairro da cidade de São Paulo, e outro no “Bairro da Paz”, na cidade de Salvador. Os bancos de dados já coligidos disponibilizam informações ricas e adequadas ao objeto do presente trabalho, tendo investigado aspectos relacionados à situação ocupacional e a oportunidades de trabalho, que foram cuidadosamente investigados, bem como o foram as características pessoais do entrevistado, suas formas de sociabilidade e os mecanismos de acesso e a intensidade de com que recorrem a serviços e benefícios públicos.

Análise da inserção dos ocupados com nível superior no mercado de trabalho metropolitano - Neste caso, a análise se concentrará num contexto distinto ao anterior, uma vez que será observada a forma como a “raça” altera as chances de indivíduos que partilham aquele que é considerado principal atributo para a superação da desigualdade, o diploma de ensino superior. Neste caso, o estudo fará uma análise desse processo de inserção no mercado de trabalho ao longo desta década, procurando identificar os efeitos das mudanças estruturais no mercado de trabalho e das características da oferta de mão de obra sobre as desigualdades raciais.

Essa parte da pesquisa terá um desdobramento mais amplo, com o apoio da Fundação Ford, para uma análise mais específica sobre as recentes transformações da oferta de mão-de-obra propiciadas pelas políticas públicas de inclusão no ensino de 3o grau, no caso o Prouni.

Metodologia e desenho operacional - O desenho operacional consiste basicamente na análise dos dados agregados, sendo que parte deles já foi produzida em projetos realizados pelo Centro de Estudos da Metrópole. Combina a análise de dados de um survey em regiões fortemente marcadas por situações de pobreza no ano de 2006, Cidade Tiradentes, em São Paulo, e Bairro da Paz, em Salvador, com a análise de dados das principais bases de dados ocupacionais (Pesquisa de Emprego e Desemprego - SEADE, Pesquisa Mensal de Emprego) e dados demográficos (Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar - IBGE e Censo demográfico - IBGE). O marco de referência temporal destas análises será a década de 2000.

Equipe:

Alexandre Abdal

Bruno Komatsu

Danilo França

Danilo Torini

Flávia Rios

Luciana de Jesus Dias

Rogério Barbosa

Thiago Soares

Subprojeto 1.3. : Territórios, dinâmica econômica e fluxos de conhecimento: comparações internacionais - Coordenação: Alvaro Augusto Comin   (Linha de pesquisa concluída)

Comparações internacionais (Linha de pesquisa concluída)

Coordenação: Alvaro Augusto Comin  

Este projeto pretende avançar na compreensão dos fatores que explicam o dinamismo das economias baseadas em conhecimento, contribuindo para a identificar ações que reforcem o potencial de desenvolvimento das grandes cidades brasileiras, maximizando possíveis efeitos distributivos e integradores também para a parcela mais pobre de seus habitantes.

Em termos empíricos (apoiados em estudos anteriores realizados por esta equipe), a seleção dos nichos de atividades a serem estudados privilegiará áreas que mantenham intersecções mais transversais, isto é, que mantenham relações de provimento e consumo com atividades diversificadas (como tecnologia da informação, moda, saúde, ensino superior e P&D, turismo e gastronomia e mídia –publicidade, jornalismo, TV e audiovisual) antes que cadeias produtivas. Para a caracterização estrutural destas atividades serão utilizadas as bases estatísticas e cadastros mais conhecidos (PED, Rais, Cempre, PIA, PAS, PAC, Pintec), fontes administrativas (Valor Adicionado Fiscal) e estudos setoriais das associações empresariais.

A ênfase maior, contudo, será dada aos estudos de caso apoiados em metodologias de tipo qualitativo. No plano das comparações, exatamente porque a economia das grandes cidades brasileiras tem características singulares no espaço nacional, privilegiaremos o estudo de capitais econômicas de países com trajetórias e nível de desenvolvimento similares aos do Brasil (Coréia do Sul, Índia e China).

Equipe:

Carlos Torres Freire

Alexandre Abdal Cunha

Maria Carolina Oliveira

Alexandre Barbosa

Bruno Komatsu

Victor Callil

Mariana Toledo

Linha de Pesquisa 2: Condições de vida, Estado e políticas públicas

Subprojeto 2.1. : Graus e formas de acesso aos serviços sociais pelas famílias pobres - Coordenação: Argelina Figueiredo

Coordenação: Argelina Figueiredo

A despeito dos avanços obtidos, nos últimos anos, nas principais cidades brasileiras, no que diz respeito ao acesso de indivíduos pobres às políticas públicas (Figueiredo, Torres e Bichir, 2006), inúmeras desigualdades persistem, especialmente no que tange à qualidade dos serviços. Este projeto de pesquisa se dedica a investigar as variáveis que limitam o acesso das famílias pobres aos serviços sociais, partindo do pressuposto de que a informação com que contam os formuladores das políticas a respeito da localização dessas famílias desempenha um papel em seus resultados. Assim, fatores burocráticos podem afetar negativamente o acesso que as famílias menos escolarizadas e menos conectadas têm a esses serviços.

Perseguindo os desdobramentos de achados anteriores, a pesquisa tem três objetivos principais:

(a) detalhar a identificação de diferenças no acesso que grupos sociais diversos têm aos serviços públicos, tomando como variáveis centrais dessa análise as áreas abrangidas por essas políticas, o espaço e a renda;

(b) investigar de forma pormenorizada os fatores que explicam o menor nível de acesso das famílias de baixa renda aos serviços sociais, considerando quatro tipos-chave de variáveis: institucional, organização da sociedade civil, segregação espacial e variáveis demográficas;

(c) investigar a implementação da política como uma dimensão central do acesso aos serviços sociais. Nossa hipótese é que aspectos do desenho e da implementação da política podem – freqüentemente de maneira não-intencional – limitar o acesso dos pobres aos serviços.

Parte dos dados para tal análise já foram produzidos: dois surveys foram realizados, em 2004 e 2006, sobre o acesso dos 40% mais pobres aos serviços sociais, tanto em São Paulo quanto em Salvador. Em 2007, outro survey, aplicado em dois bairros pobres, de São Paulo e Salvador, proporcionaram novas informações a respeito da participação social e acesso aos serviços. Por último, em 2006 e em 2007, outro survey e oito grupos focais com professores de escolas primárias localizadas em bairros ricos e pobres de São Paulo foram realizados.

Esses dados fornecem um rico material para diferentes análises empíricas. Utilizando-se técnicas CHAID, o objetivo é entender melhor a associação entre o acesso aos programas de transferência de renda e a participação social, com base nos surveys aplicados junto a famílias de baixa renda em 2004, 2006 e 2007. Também produziremos uma tipologia dos professores das escolas primárias de São Paulo, com base em técnicas GoM, em um esforço para trazer à luz aspectos relacionados à implementação da política educacional.

Subprojeto 2.2. : Determinants of social services provision - Coordination: Marta Arretche

Coordenação: Marta Arretche

O objetivo deste projeto é estudar os mecanismos que afetam a capacidade do Estado de prover serviços sociais. De modo mais específico, os efeitos das relações governo central e governos locais, no plano nacional e no nível dos arranjos metropolitanos, sobre as receitas, despesas, bem como sobre a oferta de serviços sociais nos municípios brasileiros são os objetos centrais do estudo.

Quatro questões empíricas, que emergem da literatura internacional e de achados de pesquisas anteriores, organizam essa investigação:

(a) o eixo vertical da estrutura do Estado, isto é, o modo como as relações intergovernamentais se estruturam de modo a fornecer aos governos locais as capacidades e incentivos para que ofertem serviços públicos; esta primeira dimensão pretende explorar os mecanismos institucionais pelos quais o governo central coordena a oferta de políticas públicas por parte dos governos locais;

(b) a provisão de serviços públicos e os gastos em áreas metropolitanas, considerada a concentração de população pobre e rica nessas cidades; esta segunda dimensão concentra-se nas necessidades específicas ás cidades metropolitanas e em suas estruturas de governança;

(c) uma terceira dimensão lida com o papel dos partidos políticos na desigualdade dos gastos e de oferta de serviços entre os municípios brasileiros;

(d) o projeto pretende ainda analisar a distribuição espacial de gastos na cidade de São Paulo, de modo a abordar prioridades de gasto e dos governos municipais.

O Banco de Informações sobre Municípios do CEM já possui acervo abrangente de informações sobre todos os governos locais do Brasil, com dados confiáveis a respeito de suas receitas, despesas e resultados eleitorais, bem como informações demográficas e econômicas. Esse banco abarca o período 1996-2006, recobrindo dois mandatos municipais (1997-2000 e 2001-2004), bem como o período mais recente.

Equipe:

Edgard Fusaro

Fernando Gonçalves

Patrick Cunha da Silva

Paulo Loyola

Subprojeto 2.3. : Participação e políticas de saúde em São Paulo - Coordenação: Vera Schattan

Coordenação: Vera Schattan

O projeto de pesquisa Participação e Políticas de Saúde na Cidade de São Paulo acompanha a distribuição e o consumo dos serviços públicos de saúde no município desde 2001 focando nos processos de descentralização e participação social intramunicipal.

O estudo explora as relações entre processos de participação e resultados distributivos, dialogando com a literatura que enfatiza aspectos distributivos e procedimentais das políticas públicas (Abelson & Gauvin 2005; Fung 2004 Rowe, G. & Frewer, L. 2004; House, E. & Howe, K. 2000). Nesta pesquisa os Conselhos de Saúde são estudados como instituições políticas intermediárias que podem influenciar a distribuição dos serviços públicos de saúde.

Em fases anteriores, a equipe de pesquisa do CEM desenvolveu um modelo que permite comparar processos participativos e testar empiricamente a relação entre, por um lado, as redes inseridas em cada conselho, as características de seus procedimentos organizacionais e sua articulação com outras instituições e, por outro, sua capacidade de incidir sobre a política de saúde. Atualmente esse modelo vem sendo testado na análise de seis conselhos de saúde em subprefeituras localizadas em áreas pobres e periféricas da cidade de São Paulo, as quais têm posições semelhantes no IDH. A hipótese que está sendo testada sugere que há uma correlação positiva entre a presença de conselhos mais deliberativos e inclusivos nas regiões periféricas da cidade e o progressivo crescimento da oferta e do uso de serviços públicos de saúde nessas mesmas áreas.

Dando prosseguimento à pesquisa, entrevistas em profundidade com gestores da saúde municipal estão em fase de realização. O objetivo é analisar o impacto das decisões e recomendações feitas pelos conselhos sobre o processo de tomada de decisões na política de saúde. O projeto também vem dando continuidade ao trabalho de análise da distribuição dos serviços públicos de saúde – a oferta de consultas básicas e de internações hospitalares – nas subprefeituras de São Paulo.

O retorno/transferência dos resultados de pesquisa será organizado, nas subprefeituras, em colaboração com os respectivos conselhos e com os supervisores; no nível municipal, em colaboração com o Conselho Municipal e com a Secretaria de Saúde.

Equipe:

Fabiola Fanti

Felipe Szabzon

Marcelo Francisco Dias

Subprojeto 2.4. : Política e comportamento eleitoral - Coordenação: Fernando Limongi

Coordenação: Fernando Limongi

Considerando-se que a política eleitoral influencia consideravelmente a oferta de políticas públicas, este projeto investiga o comportamento eleitoral na metrópole. Os resultados de investigações anteriores levadas a cabo pelo CEM demonstraram que o comportamento eleitoral é altamente previsível e relacionado com fatores sócio-econômicos. No entanto, esses resultados até o momento basearam-se apenas na cidade de São Paulo.

Esse estudo é único na literatura brasileira no que diz respeito aos métodos e dados empregados. Ao invés de lidar com informações provenientes de surveys, trabalhamos com os resultados eleitorais com o grau mais baixo de agregação possível, a saber, as urnas. As descobertas anteriores se referem apenas a São Paulo, o Estado mais desenvolvido do país, no qual, ademais, os dois principais partidos políticos nacionais têm profundas raízes. Dessa forma, é necessário saber se tais achados se sustentam para outros Estados. Por essa razão, o atual estágio do projeto se aproxima de estender o alcance espacial da pesquisa, recobrindo tantos Estados quanto possível. O projeto continuará a empregar a metodologia de Gary King para investigar a base eleitoral de partidos e candidatos, por meio da combinação de dados eleitorais e variáveis sócio-econômicas.

Esforços nesse sentido já foram feitos, com relação ao padrão de distribuição dos votos na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, com o objetivo de comparar os resultados obtidos para aquela cidade com aqueles já obtidos para a cidade de São Paulo. A organização dos dados para o estudo do comportamento eleitoral intra-urbano já foi concluída. Não obstante, além de diferenças no nível de riqueza, a história política da Região Metropolitana do Rio de Janeiro e seu papel na política nacional contrastam com os de São Paulo.

Outro objetivo atualmente perseguido é procurar mecanismos explicativos para os padrões identificados – o que será feito por meio de testes empíricos de hipóteses teoricamente orientadas relacionadas ao que a literatura identifica como o aspecto de coordenação da competição eleitoral. Isso implica explicar como os partidos mobilizam os eleitores no Brasil, explorando a mais importante resposta na literatura comparativa a respeito do voto dos pobres – a relação clientelística.

Equipe:

Argelina Figueiredo

Fernando Guarnieri

Lara Mesquita

Andreza Davidian

Andrezza Ribeiro

Linha de Pesquisa 3: Sociabilidade e vida urbana

Subprojeto 3.1.: Redes sociais, sociabilidade e segregação - Coordenação: Eduardo Marques

Coordenação: Eduardo Marques

Nesta frente, começamos pelo entendimento do papel das redes na reprodução da pobreza, dado que pesquisas prévias demonstraram que tanto a segregação quanto as redes pessoais ajudam a explicar a pobreza (Wilson, 1987; Massey e Denton, 1993 e Briggs, 2001). Esse aspecto já havia sido assinalado por nós para o caso de São Paulo durante a primeira fase do CEM (Marques e Torres, 2005). Efetivamente, nossa análise preliminar sobre o tema sugere que as redes explicam uma parte maior da variabilidade de renda do que outras variáveis como a inserção ocupacional ou o número de anos de escolarização (Marques et al., 2008).

O projeto segue em busca de detalhar como as redes aparecem como estruturas intermediárias que as pessoas usam em suas práticas cotidianas. Isso está sendo feito por meio do aprofundamento de análises anteriores, especificando as redes como mecanismos tanto de (re)produção quanto de superação da pobreza e analisando comparativamente a importância das redes em outros contextos sociais. Para tanto, as seguintes linhas de análise são desenvolvidas:

(a) Estrutura social em uma perspectiva comparativa: em cooperação com Iuperj, UFRJ e Science Politique (França), estruturas sociais serão estudadas em uma perspectiva comparativa, lançando mão tanto de classes EGP quanto de categorias sócio-ocupacionais, em continuidade ao que já iniciamos em Marques, Scalon e Oliveira (2007);

(b) Redes de apoio social: estudo sobre redes de apoio em situações cotidianas e em momentos críticos, no Rio de Janeiro e em São Paulo, utilizando dados de um survey desenvolvido em 2008, envolvendo todos os grupos sociais, em continuidade a um esforço de pesquisa que já gerou importantes achados (Marques et al, 2008). Essa análise está sendo complementada por um novo survey em 2010;

(c) Redes e mobilidade social: com o foco, agora, nas esferas da família e da vizinhança, bem como em suas estratégias de sobrevivência e suas condições de moradia. A intenção é, também aqui, ampliar o foco, estudando a relação entre redes e mobilidade, com ênfase na classe média-baixa.

A pesquisa tem empregado diferentes técnicas, incluindo a análise de redes, SIG, estatísticas descritivas e analíticas e entrevistas em profundidade. No ano de 2010, foi realizado survey sobre apoio social e redes, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Esse módulo de pesquisa também inclui como parceiros Celi Scalon (da Universidade Federal do Rio de Janeiro), Paula Miraglia (Ilanud), Teresa Caldeira (Universidade da Califórnia, Berkeley, EUA) e Edmond Preteceille (Sciences Po, França).

Equipe:

Renata Bichir

Encarnación Moya

Miranda Zoppi

Graziela Castello

Subprojeto 3.2. : Organizações civis: intermediação, Estado e população carente - Coordenação: Adrian Gurza Lavalle

Coordenação: Adrian Gurza Lavalle

O projeto se inscreve no módulo Sociabilidade e Vida Urbana do CEM-INTC e toma como objeto o acesso das organizações civis ao Estado e seu papel como intermediárias entre as camadas carentes da população e o próprio Estado, examinando os padrões relacionais de redes temáticas de pobreza e outras redes orientadas por questões específicas, no bojo de uma investigação binacional – México e Brasil.

No caso do México, o projeto incorpora bases de dados relacionais já existentes sobre a Cidade do México, com pesquisa de campo e novas bases de dados em cidades de pequeno e médio porte do Estado de Veracruz. No caso do Brasil, a pesquisa conjuga bases de dados existentes sobre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

O projeto tem dois componentes: o primeiro procura compreender o modus operandi das organizações civis, isto é, as hierarquias internas, capacidade de atuação e estratégias relacionais do universo das organizações civis nos dois contextos; o segundo, visa a iluminar a conexões entre esse modus operandi e as instituições políticas dos respectivos contextos, atentando para a intermediação de recursos e serviços públicos exercida pelos atores estudados.

O trabalho tem como pesquisadores convidados Ernesto Isunza Vera (Centro de Estudios Superiores en Antropologia Social – CIESAS, Xalapa, México) e Elisa Reis (Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ)

Equipe:

Natália Salgado Bueno

Julia Moreto Amâncio

Subprojeto 3.3. : Pobreza, desigualdade e sociabilidade - Coordenação: Ronaldo Almeida

Coordenação: Ronaldo Almeida

Nesta frente, levando em conta resultados anteriores do projeto do CEM, aprofundamos as proposições teóricas a respeito dos mecanismos de amenização da pobreza e de reprodução da desigualdade social relacionados com a sociabilidade urbana, bem como seus efeitos no acesso das pessoas a recursos materiais e simbólicos.

Com apoio na comparação de estudos etnográficos realizados em contextos de “situações periféricas”, três linhas de investigação estão sendo desenvolvidas:

(a) a violência simbólica, compreendida como uma gramática social que classifica hierarquicamente tanto localidades no interior do espaço urbano quanto setores da população, por meio de estigmas e status a eles conectados;

(b) a vulnerabilidade política devida à relação entre essas populações e o Estado (aqui tomado como um continuum de políticas que tanto podem ser inclusivas quanto induzir à segregação), sob inspiração de Castel;

(c) a qualidade dos laços sociais formais e informais (religião, família, comunidade, associações), que podem facilitar ou limitar o acesso aos recursos materiais.

Os pesquisadores envolvidos neste projeto têm como objetivo não a produção exaustiva de novos dados, mas monitorar campos etnográficos e introduzir uma dimensão longitudinal, com vistas a explorar os efeitos desses mecanismos ao longo do tempo.

A principal metodologia empregada é a comparação de trabalhos de campo etnográficos realizados em três diferentes contextos de pobreza. Parte desse material já foi coletada em fases anteriores, mas sua análise, enquanto material para responder à questão sobre seus impactos sobre a desigualdade social, não foi ainda suficientemente explorada. Dessa forma, todas as localidades serão analisadas em relação às suas respectivas “centralidades” e “situações periféricas”, no que diz respeito à produção de bens simbólicos e materiais. As “situações periféricas” são:

- Paraisópolis, em relação ao Morumbi, em São Paulo;

- Cidade Tiradentes, em relação ao Centro Expandido de São Paulo;

- Uma ocupação denominada “Bairro da Paz”, na cidade de Salvador, em relação aos condomínios privados em seus arredores.

Cada situação, considerada em uma perspectiva relacional, será comparada com as outras. O objetivo é entender os mecanismos comuns e cruzados que, ao mesmo tempo, suavizam a pobreza urbana e reproduzem a desigualdade social. É importante dizer que os surveys já aplicados em Paraisópolis, Cidade Tiradentes (ambos em São Paulo) e Bairro da Paz (em Salvador) – os quais foram concebidos com base na pesquisa etnográfica empreendida em fase anterior da pesquisa – serão uma referência para essa nova imersão no campo.

Subprojeto 3.4. : CEM Audiovisual - Coordenação: Henri Arraes Gervaiseau

Coordenação: Henri Arraes Gervaiseau

Este projeto pode ser considerado como um laboratório inovador, voltado para a exploração das distintas formas de conceber a relação entre a imagem-ensaio e o quadro de referência gerado pela metodologia científica. Trata-se de uma experiência nova que cria um laboratório na interface entre documentário e ciências sociais, sintonizado com a investigação de ponta neste terreno que se desenvolveu muito nas últimas décadas, notadamente no Brasil. A proposta é de produzir documentários capazes de produzir configurações audiovisuais da cidade, composições de imagens e dos sons capazes de oferecer novos ângulos de percepção da experiência urbana não revelados pelos indicadores sociais, ou pela armação conceitual que orienta a pesquisa empírica.

Nesse sentido, as parcerias com o SESC, com o Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da ECA/USP e a TV Cultura são fundamentais. O CEM Audiovisual reúne professores e estudantes de graduação e pós-graduação da ECA-USP, bem como técnicos profissionais, que se reúnem em projetos que visam explorar as fronteiras entre a produção audiovisual e a investigação em Ciências Sociais. Criado em 2003, vem produzindo, desde então, documentários cinematográficos e vídeográficos, privilegiando temas relacionados à metrópole, tanto a partir de pesquisas da instituição, quanto de pesquisas em ciências sociais vinculadas a questões candentes da realidade urbana brasileira atual.

Encontra-se atualmente em curso a realização de uma trilogia sobre Cidade Tiradentes tendo como foco central à experiência da moradia, cada qual com um ângulo de percepção distinto face à experiência social em pauta. O primeiro episódio, concluído, lida com a experiência efetiva e antiga, vivenciada por um grupo de personagens, de morar em um conjunto habitacional deste distrito pobre da zona Leste da capital. O segundo, já em produção, explora diferentes formas da experiência de se preparar para morar em Cidade Tiradentes. Experiência vivida pelos integrantes do mutirão autogerido Paulo Freire, que está finalizando a construção de um prédio no bairro, onde 100 famílias de mutirantes irão morar, entre o final de 2008 e o inicio de 2009. O terceiro explora diferentes formas da experiência de morar em favelas e invasões em Cidade Tiradentes, ou seja, na maior parte das vezes, em loteamentos irregulares e ilegais. Lidaremos, neste ultimo caso, com pessoas com pouco tempo de moradia no local e sem grandes expectativas quanto a sua permanência.

Equipe:

Francisco Toledo

Marcos Yoshisaki

CMS Audiovisual - Coordinação: Henri Arraes Gervaiseau

O CEM Audiovisual reúne profissionais (professores e estudantes de graduação e pós-graduação, bem como técnicos) interessados em explorar as fronteiras entre a produção audiovisual e a investigação em Ciências Sociais. Criado em 2003, vem produzindo, desde então, documentários cinematográficos e vídeográficos, privilegiando temas relacionados à metrópole, tanto a partir de pesquisas da casa, quanto de pesquisas em ciências sociais vinculadas a questões candentes da realidade urbana brasileira atual. Entre 2003 e 2005, foram realizados um longa metragem e três médias metragens.

 

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Entretempos

Dirigido por Henri Arraes Gervaiseau, professor da ECA-USP, e produzido pelo CEM. O documentário busca recompor, de modo poético, a trajetória coletiva dos integrantes da Associação do Mutirão Paulo Freire, que no curso de aproximadamente dez anos construíram, em regime de mutirão autogerido, em parceria com uma organização não governamental, um conjunto habitacional para cem famílias em Cidade Tiradentes, no extremo leste do município de São Paulo.

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Em Trânsito (In Traffic)

Dirigido por Henri Arraes Gervaiseau, professor da ECA-USP e também coordenador do núcleo audiovisual do CEM, mostra como o dia a dia no trânsito e no transporte coletivo de moradores da Grande São Paulo se articula com outras dimensões de suas vidas.

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Moro Na Tiradentes

Dirigido por Henri Gervaiseau e Cláudia Mesquita, Moro Na Tiradentes explora diferentes formas de aproximação da experiência de morar em um dos maiores conjuntos habitacionais brasileiros, situado no extremo leste do município de São Paulo, no bairro chamado Cidade Tiradentes Um mergulho no bairro paulistano de Cidade Tiradentes, para além de estigmas de desamparo e violência.

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Moda do Centro (Downtown Fashion)

Dirigido por Martha Nehring. Média-metragem que apresenta os circuitos étnicos em torno da indústria têxtil do bairro do Bom Retiro (SP).

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5 mulheres de Paraisopolis (5 Women from Paraisopolis)

Dirigido por Claudia Mesquita. O documentário parte de uma perspectiva feminina para falar sobre a vida na favela de Paraisópolis (SP).

Cada produção traz uma equipe de realização específica que tem variado conforme o teor da pesquisa em pauta no filme.

Para baixar trailers dos documentários, clique nos links. Os vídeos estão no formato .wmv e são melhor visualizados no software Windows Media Player.

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