CEM oferece a maior base de dados gratuita de logradouros da Região Metropolitana de São Paulo

Material acaba de ser atualizado e totaliza mais de 325 mil trechos viários da RMSP, com 89% contendo nome, numeração dos imóveis e CEP.

Janaína Simões

O Centro de Estudos da Metrópole (CEM-Cepid/Fapesp) oferece a mais ampla base de dados disponível de forma gratuita sobre os logradouros da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). A base de dados que contém as ruas, avenidas, travessas, pontes e viadutos da maior área metropolitana do Brasil acaba de ser atualizada pela equipe de Difusão e Transferência do CEM. Totaliza 326.058 segmentos ou trechos viários – de esquina a esquina –, dos quais 89% tem nome, numeração dos imóveis e código de endereçamento postal (CEP).

“Este número é bastante significativo, se levarmos em conta a excepcional dinâmica do espaço urbano metropolitano”, ressalta Daniel Waldvogel Thomé da Silva, pesquisador responsável pelo trabalho de atualização. Ele conta que é possível observar, durante o trabalho de construção e atualização dessa base de dados, a manutenção da tendência de adensamento e estabilização em detrimento da expansão do tecido urbano, mas que, ainda assim, a RMSP incorpora um grande volume de alterações: novos assentamentos, implantes residenciais, condomínios, eixos viários e de transporte urbano, grandes equipamentos etc. “São mudanças que determinam importantes impactos nas diversas cartografias, na representação geométrica ou nos atributos e um trabalho constante de atualização”, completa.

Mariana Giannotti, coordenadora da Área de Transferência e Difusão do CEM, lembra que a base de logradouros é a principal dentro do conjunto dos arquivos cartográficos georreferenciados do acervo CEM referente à RMSP. Isso porque ela representa a infraestrutura viária da cidade, permitindo inferir a localização de praças, parques, canais hidrográficos e demais tramas do desenho urbano, assim como localizar os mais variados eventos. “É a ferramenta por excelência na localização e geocodificação de fenômenos pontuais - pessoas, eventos, equipamentos etc”, aponta.

Desde o início dos anos 2000, quando foi criada, a base CEM de logradouros incorporou um grande número de alterações. Mais de 45 mil, o que corresponde a 14% do total de segmentos, foram alterados ou incorporados desde 2014. As alterações referem-se à geometria, ou seja, ao desenho ou traçado, ou aos dados referentes a cada segmento, os atributos. O traçado das vias, ou seja, o eixo das ruas, avenidas, rodovias, viadutos etc, pode ser realocado para um posicionamento mais preciso, assim como podem ser acrescidos de novos segmentos, por exemplo. Os atributos podem, igualmente, ser ajustados ou complementados: nome da via, CEP, numeração imobiliária, distrito a que pertence etc.

Assim, do mesmo modo que os arquivos de parques, escolas, estações ou setores censitários, a base de logradouros da RMSP é uma cartografia em permanente reelaboração. Novas geometrias ou atributos são incorporados a partir de processos diversos. Um deles são as pesquisas desenvolvidas no âmbito do CEM e do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), uma das instituições nas quais o CEM está sediado, além da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP).

Outro processo usado para a construção e atualização da base de dados é a consulta a imagens e dados disponibilizados na Internet, como o sistema Google ou sites oficiais de prefeituras e outros órgãos públicos. São feitas, ainda, incursões in loco, quando as fontes indiretas revelam-se insuficientes.

A construção de bases de dados robustas sobre o espaço metropolitano e sua disponibilização de forma gratuita para a sociedade é uma das missões e diretrizes do CEM desde sua fundação. “Nossas matrizes cartográficas são construídas com a finalidade de embasar e apoiar as pesquisas desenvolvidas pelo CEM, inexistindo quaisquer direcionamentos no sentido de exploração comercial. Dada a qualidade e quantidade de informação dessas bases, vimos que não faz sentido mantê-las só para uso dos nossos pesquisadores, então disponibilizá-las para a comunidade científica e a sociedade em geral foi um passo natural”, completa Eduardo Marques, diretor do CEM.

Para consultar essa e outras bases de dados do CEM-Cepid/Fapesp, basta ir até a página http://centrodametropole.fflch.usp.br/pt-br/download-de-dados e selecionar, no menu do lado esquerdo, “TEMAS”, o item Sistema Viário. É preciso oferecer o e-mail na página inicial de acesso ao banco de dados. Ele é imediatamente liberado; não é preciso esperar para receber nenhuma comunicação de autorização do CEM para começar a usar as bases. No entanto, é obrigatório citar o CEM nos trabalhos científicos que utilizam informações de nossas bases de dados.


Sobre o CEM:
Criado em 2000, o Centro de Estudos da Metrópole (CEM) é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Cepid-Fapesp) e reúne cientistas de várias instituições para realizar pesquisa avançada, difusão do conhecimento e transferência de tecnologia em Ciências Sociais, investigando temáticas relacionadas a desigualdades e à formulação de políticas públicas nas metrópoles contemporâneas. Sediado na Faculdade de Filosofia, Letras, Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) e no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), o CEM é constituído por um grupo multidisciplinar, que inclui pesquisadores demógrafos, cientistas políticos, sociólogos, geógrafos, economistas e antropólogos.


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