Pesquisador da Universidade Estadual de Nova Iorque discute capacidade dos Estados latino americanos

Em palestra no CEM, Juan Diego Prieto apresentou estudos de casos mostrando que Brasil e Colômbia conseguem criar capacidades estatais ao estabelecer costuras com governos subnacionais, outros órgãos e entidades do terceiro setor.

Juan Diego Prieto
Juan Diego Prieto

Juan Diego Prieto, professor assistente no Departamento de Ciência Política na Universidade Estadual de Nova Iorque (SUNY), Cortland (Estados Unidos), apresentou em palestra para pesquisadores e pós-doutorandos do Centro de Estudos da Metrópole (CEM-Cepid/Fapesp e CEPIx/USP), em 29 de junho, na Universidade de São Paulo, resultados de uma pesquisa, ainda em fase de publicação, sobre a capacidade estatal na América Latina, a partir de estudo de casos na Colômbia e no Brasil.

A capacidade estatal pode ser definida como o conjunto de recursos, competências e arranjos institucionais que um Estado possui para formular, implementar e gerir políticas públicas de forma eficaz, mesmo diante de resistências políticas ou crises. Na apresentação, Prieto ressaltou as limitações estruturais e históricas na capacidade estatal dos países da América Latina, mas afirmou que a capacidade estatal não é suficiente para explicar as respostas dos governos. “Trata-se de um tema ainda sub-teorizado pela literatura existente, especialmente no que se refere ao desempenho, ou seja, o que ocorre entre as capacidades estatais, aquilo que o Estado consegue fazer, e o que ele, de fato, realiza”, pontuou. 

Além da palestra, Prieto esteve no CEM para articular futuras parcerias para o desenvolvimento de sua pesquisa mais recente, sobre políticas sociais de governos subnacionais de direita. No Brasil, ele quer analisar dois programas, o SuperAção SP e o Goiás Social. A ideia é fazer a caracterização dos programas, verificar suas origens, funcionamento e resultados, e analisar como a criação de programas deste tipo geram oportunidades políticas para burocratas, contratistas e assistentes sociais.

Minibio - Juan Diego Prieto possui mestrado e doutorado em Política pela Universidade de Califórnia, Santa Cruz, mestrado em Ciência Política pela Universidad de los Andes (Bogotá, Colômbia) e graduação em Filosofia e Estudos Internacionais pela American University (EUA). Pesquisa temas relacionados à economia política subnacional da provisão de serviços, a proteção social e a capacidade estatal na América Latina. Também tem se dedicado ao estudo do conflito armado, a construção de paz e os processos de justiça transicional na Colômbia.


Sobre o CEM
Criado em 2000, com início das atividades em 2001, o Centro de Estudos da Metrópole (CEM) reúne cientistas de várias instituições para realizar pesquisa avançada, difusão do conhecimento e transferência de tecnologia em Ciências Sociais, investigando temáticas relacionadas a desigualdades e à formulação de políticas públicas nas metrópoles contemporâneas, tendo a diversas desigualdades como eixo transversal de seus estudos. Sediado na Faculdade de Filosofia, Letras, Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) e no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), o CEM é um dos 
Centros de Pesquisa e Inovação Especial da Universidade de São Paulo (CEPIx-USP), iniciativa criada pela reitoria da universidade em 2024 para abrigar centros que integraram o programa Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Cepid-Fapesp).


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