Centro de Estudos da Metrópole lança terceira versão do Mapi 28º Encontro USP-Escola em julho
O Centro de Estudos da Metrópole (CEM-Cepid/Fapesp) lançará no dia 15 de julho, em curso oferecido no 28º Encontro USP-Escola, a mais nova versão do Mapi, sistema de mapeamento comunitário que funciona como ferramenta pedagógica para ser usada por professores e professoras com estudantes dos últimos dois anos do Ensino Fundamental Anos Finais e do Ensino Médio. As inscrições para participar do curso “Abordagens para o ensino de Emergências Climáticas com o aplicativo Mapi de mapeamento comunitário” estão abertas até 10 de junho de 2026 e podem ser feitas gratuitamente pelo Sistema Apolo USP. O 28º Encontro USP-Escola será realizado entre os dias 13 e 17 de julho, no campus da Universidade de São Paulo (USP) no Butantã, capital paulista.
Duas das grandes novidades desta versão do Mapi são as Trilhas Pedagógicas, materiais para apoiar professores no uso do Mapi, e a Comunidade de Práticas, desenvolvida por meio de parceria entre o CEM e a organização social Cidade Ativa. São inovações no sistema que atendem às demandas apresentadas pelos professores participantes de edições anteriores do USP-Escola nas quais o CEM ofereceu cursos sobre o Mapi e também um projeto-piloto com escolas.
Outra inovação na nova versão do sistema Mapi é a possibilidade de professores e alunos trabalharem com ferramentas e dados do eixo temático Ambientes Alimentares, no qual os usuários do Mapi poderão marcar pontos no seu projeto de mapeamento, como os locais onde estão feiras livres, supermercados, padarias, cozinhas comunitárias, entre outros equipamentos. Os estabelecimentos pré-mapeados que constam na base de dados do sistema vêm da plataforma internacional de mapeamento comunitário OpenStreetMap e, no Mapi, estarão disponíveis para todos os municípios do Brasil.
Também é destaque a inserção de mais indicadores sobre o eixo temático Emergências Climáticas, graças à integração do Mapi com o que foi produzido para outro projeto liderado pelo CEM, a GeoRedus, plataforma de dados georreferenciados intramunicipais de todos os municípios brasileiros e que tem por objetivo apoiar gestores públicos na implementação e monitoramento de políticas públicas informadas por dados e mapas. Podem ser mapeados pontos como os que sofrem alagamentos ou que possuem risco de deslizamentos, por exemplo.
É possível trabalhar, ainda, com o eixo temático Mobilidade Urbana, para o qual o aplicativo contará com pontos pré-mapeados de infraestrutura de transportes e possibilitará que os estudantes qualifiquem e mapeiem outros pontos. Além desses eixos temáticos, desde sua primeira versão o Mapi disponibiliza dados e permite a construção de mapas comunitários sobre os temas População e Domicílios, Infraestrutura e Serviços Urbanos, Educação e Saúde, que fornecem potentes ferramentas de análise dos territórios.
O sistema Mapi tem como base três recursos principais: mapeamento, visualização e análise de dados geoespaciais. Essas vertentes permitem à comunidade aliar conhecimentos escolares e cidadania territorial ao promover a coleta de dados em mapeamento comunitário e o cruzamento desses dados com dados oficiais para identificar desigualdades sociais, questões de justiça territorial e dinâmicas do espaço urbano.
Traduzindo em um exemplo prático: durante a realização do projeto-piloto do Mapi com duas escolas públicas, um grupo de alunos, em trabalho de campo, mapeou o entorno da Escola Estadual Agenor Magalhães, na Vila Clarice, região do bairro de Pirituba, em São Paulo, e registrou os dados no Mapi. Um dos resultados práticos foi a percepção da insegurança na mobilidade e a criação de um abaixo-assinado com pedido de instalação de lombada eletrônica na rua da escola, para reduzir os riscos de atropelamento identificados durante o mapeamento coletivo. A escola registrou um resumo das suas experiências com o Mapi em vídeos, acessíveis aqui.
Os novos recursos
As recém-criadas Trilhas Pedagógicas são propostas de atividades utilizando o Mapi que os professores podem aplicar com seus alunos. “As atividades foram estruturadas para serem aplicadas de forma flexível. Permitem diferentes percursos, combinações e reorganizações de acordo com o contexto, os interesses da turma e os objetivos dos professores e das professoras”, afirma Kaue Oliveira Almeida, integrante da Equipe de Inovação do CEM que idealizou o Mapi. Possuem duas dimensões: eixos temáticos e verbos geradores.
Foram desenvolvidas para três eixos temáticos - Mobilidade Urbana, Emergências Climáticas e Ambientes Alimentares. Para cada um deles, há um conjunto de nove sugestões de atividades que podem ser combinadas. Os verbos geradores - Provocar, Mapear e Agir - orientam as formas de olhar, compreender e intervir no território. Entre os materiais disponibilizados aos professores nas Trilhas estão as fichas de atividades. “As propostas que fizemos estão alinhadas às habilidades previstas pelo Banco Nacional Comum Curricular, o BNCC”, comenta Almeida.
Já as Comunidades de Práticas é um espaço virtual de troca entre professores que usam o Mapi e serve para apoiar o uso pedagógico, construir ou adaptar as trilhas existentes, aprofundar conceitos dos eixos temáticos, e compartilhar experiências, de modo a produzir um repertório coletivo de atividades. Além de encontros coletivos entre os participantes, será aberto um grupo no WhatsApp para integrar os docentes e as equipes do MAPi.
Participação no USP-Escola conta ponto para progressão de carreira
O curso Mapi no USP Escola “Abordagens para o ensino de Emergências Climáticas” é estruturado para atender professores de todas as áreas do conhecimento, justamente por seu potencial de adaptação e integração entre as disciplinas. Como o sistema Mapi integra ferramentas digitais, ele também se faz relevante para a utilização por professores de educação digital e laboratório de informática. O curso tem duração de quatro horas, das 14h às 18h30, com intervalo de 30 minutos, e será ministrado por especialistas envolvidos no projeto.
Vale lembrar que a participação nos cursos do USP-Escola pode ser usada pelos docentes para requerimento de pontos para a progressão de carreira, visto que a USP é uma instituição pública reconhecida pelo Conselho Estadual de Educação (CEE) de São Paulo, o que confere validade e credibilidade aos seus certificados. Para se inscrever, clique aqui e procure o curso pelo código e nome “28EUSPMC05 - "Abordagens para o ensino de Emergências Climáticas com o aplicativo Mapi de mapeamento comunitário".
Atenção: é preciso selecionar um total mínimo de 30 horas de atividades do USP Escola para prosseguir com a inscrição. Isto porque a normativa da USP define que certificados só podem ser emitidos para cursos e atividades que tenham duração de 30 horas ou mais. Assim, após escolher o curso Mapi e uma ou mais atividades que completem as 30 horas, é só selecionar o item “avançar” no fim da página e preencher as informações requeridas pelo sistema para concluir a inscrição. Mais informações sobre o curso aqui.
Sobre o CEM
Criado em 2000, com início das atividades em 2001, o Centro de Estudos da Metrópole (CEM) é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Cepid-Fapesp) e reúne cientistas de várias instituições para realizar pesquisa avançada, difusão do conhecimento e transferência de tecnologia em Ciências Sociais, investigando temáticas relacionadas a desigualdades e à formulação de políticas públicas nas metrópoles contemporâneas. Sediado na Faculdade de Filosofia, Letras, Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) e no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), o CEM é constituído por um grupo multidisciplinar, que inclui pesquisadores demógrafos, cientistas políticos, sociólogos, geógrafos, economistas e antropólogos.
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