Municípios começam a utilizar plataforma GeoReDUS 

Boa Vista, Maceió, São Cristóvão, São Gonçalo e São Luís acabam de disponibilizar dados abertos e indicadores no sistema.

Janaína Simões

Os municípios de Boa Vista (Roraima), Maceió (Alagoas), São Cristóvão (Sergipe), São Gonçalo (Rio de Janeiro) e São Luís (Maranhão) concluíram sua participação no Programa Pilotos Municipais da GeoReDUS, uma plataforma de visualização e análise de dados abertos e indicadores territoriais, em nível intramunicipal, voltada a fortalecer processos e práticas de participação na formulação de políticas públicas para o desenvolvimento urbano sustentável nos municípios brasileiros. Como resultados do projeto piloto destaca-se a criação de quatro geoportais municipais e a incorporação de 171 camadas de dados à base da GeoReDUS. 

Em sua versão atual, a GeoReDUS traz dados de todos os municípios do Brasil sobre população e domicílios; infraestrutura e serviços urbanos; educação e saúde; e emergência climática. Seu acesso é aberto e gratuito, sem necessidade de baixar nenhum programa ou aplicativo para utilizá-lo.  “A experiência piloto foi ótima. Os participantes puderam ampliar o uso de dados geoespaciais, fortalecendo as capacidades técnicas locais para a tomada de decisões informadas por evidências territorais“, destaca Mariana Giannotti, pesquisadora do CEM que coordena o projeto. 

A plataforma GeoReDUS é desenvolvida em colaboração entre o Centro de Estudos da Metrópole (CEM-CEPIx/USP e Cepid/Fapesp), a Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), o Instituto ORI:ORO e a agência de cooperação alemã Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ GmbH), no âmbito da Rede para Desenvolvimento Urbano Sustentável (ReDUS).

Como foi o programa piloto

Desenvolvido ao longo de seis meses, o programa piloto trabalhou com o levantamento, o diagnóstico e o processamento de bases de dados geoespaciais dos municípios. Mais de 100 municípios de várias regiões do Brasil se inscreveram no edital. Dezenas de oficinas e reuniões técnicas foram realizadas com os municípios selecionados. 

Durante o programa piloto, os participantes trabalharam na estruturação e padronização de seus bancos de informações georreferenciadas para promover a integração das camadas de dados de seus municípios às outras bases e indicadores disponíveis na plataforma, possibilitando a visualização, os cruzamentos, as análises e as comparações. 

Mapa produzido na Plataforma GeoReDUS mostra distribuição de creches e da população de 0 a 4 anos em São Gonçalo (RJ)

A palavra dos participantes

Ao longo do Programa Pilotos Municipais, foram observadas diferentes realidades e desafios envolvidos na organização, integração e disponibilização de dados geoespaciais. “A experiência reforçou o potencial dos geoportais como ferramentas estratégicas para fortalecer a gestão municipal, apoiar a tomada de decisões informada em evidências e ampliar o acesso a informações qualificadas sobre o território”, conclui Mariana Giannotti.

Na avaliação de Júlio Nascimento, prefeito de São Cristóvão (SE), a participação no programa piloto da GeoReDUS foi importante porque governar exige cada vez mais traçar metas e objetivos baseados em dados e evidências. “Esse programa nos dá esses dados de forma georreferenciada, direciona de forma mais assertiva os nossos investimentos, que são cada vez mais difíceis”, pontua ele. 

Talita Fernandes, superintendente de pesquisa, documentação e projetos no Instituto da Cidade, uma autarquia da prefeitura de São Luís (MA), contou que a participação no piloto ajudou a fortalecer a articulação institucional com outras secretarias municipais no que diz respeito a dados espaciais, gestão territorial e o planejamento baseado em evidências. “Durante a nossa participação no programa, nós precisamos estruturar diversos procedimentos técnicos para a adequação das nossas bases à plataforma da GeoReDUS. Com isso, conseguimos organizar e padronizar cerca de 70 arquivos da nossa base de dados. Toda essa experiência nos motivou a desenvolver um manual de governança de dados para que a gente possa estabelecer diretrizes para padronização e manutenção dos dados geoespaciais do município”, diz ela. 

Saiba mais sobre o programa piloto aqui. Conheça a plataforma: https://www.redus.org.br/georedus?v=v0 


Sobre o CEM
Criado em 2000, com início das atividades em 2001, o Centro de Estudos da Metrópole (CEM) reúne cientistas de várias instituições para realizar pesquisa avançada, difusão do conhecimento e transferência de tecnologia em Ciências Sociais, investigando temáticas relacionadas a desigualdades e à formulação de políticas públicas nas metrópoles contemporâneas, tendo a diversas desigualdades como eixo transversal de seus estudos. Sediado na Faculdade de Filosofia, Letras, Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) e no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), o CEM é um dos 
Centros de Pesquisa e Inovação Especial da Universidade de São Paulo (CEPIx-USP), iniciativa criada pela reitoria da universidade em 2024 para abrigar centros que integraram o programa Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Cepid-Fapesp).


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