CEM lança versão atualizada de bases de dados cartográficas sobre o sistema hídrico da Região Metropolitana de SP
O Centro de Estudos da Metrópole (CEM-Cepid/Fapesp) acaba de lançar a versão atualizada das bases cartográficas digitais georreferenciadas do sistema hídrico da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). São três bases diferentes, mas que dialogam e se complementam: uma sobre as bacias hidrográficas, outra sobre os cursos d’água e a terceira que engloba as superfícies hídricas. Dois dos destaques são a inclusão dos cursos d’água tamponados e de parte dos sistemas produtores de água que abastecem as 39 cidades que compõem a região metropolitana paulista. É a maior em população do Brasil, com 20.731.920 residentes, segundo o último Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022.
“A geografia reconhece dois tipos básicos de fenômenos hidrográficos. A primeira são os cursos d’água, como os rios, córregos, canais etc. A segunda são as massas d’água, que são basicamente os lagos e reservatórios”, explica o geógrafo Daniel Waldvogel Thomé da Silva, um dos responsáveis na Equipe de Inovação e Difusão do CEM pela pesquisa, estruturação e atualização das bases de dados.
A base sobre bacias hidrográficas
A bacia hidrográfica é a porção territorial drenada por determinado curso d’água e seus afluentes ou tributários. “No caso da nossa base de dados, foram inseridas as com extensão aproximada que totalizassem mais de 40 quilômetros quadrados”, afirma. Esta base contém dados georreferenciados de uma área total de 8.137 quilômetros quadrados.
Para esta base, foram utilizados como fontes de dados o ‘Mapa 2.9.2 - Sub-Regiões e Unidades Hidrográficas’, disponibilizado pelo Grupo de Pesquisa GovÁgua USP – PROCAM, do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP); imagens do Google Maps; e os arquivos de Hidrodrenagem do Geosampa. Metodologicamente, ela foi elaborada com apoio dos arquivos do acervo CEM, especialmente o de cursos de água da RMSP. Também foram considerados os recortes das Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRH), estabelecidos pela Lei Estadual 7633/91. Nela foram consideradas de primeiro nível quatro bacias na RMSP: Tietê, Paraíba do Sul, Ribeira de Iguape e Litorâneas.
Cursos d’água: base inclui os tamponados
Esta base contém dados georreferenciados de rios, córregos, ribeirões e aquedutos de água bruta dos principais sistemas produtores que abastecem a RMSP, que totalizam 4.888 quilômetros. “Foram considerados os cursos d’água com extensão aproximada superior a quatro quilômetros, incluindo alguns fora dos contornos da RMSP”, conta.
“Os cursos d’água tamponados ou represados não aparecem nas imagens aéreas que utilizamos como uma das fontes para a estruturação da nossa base, mas, mesmo assim, inserimos esses elementos no nosso sistema, com a devida indicação de sua condição, classificada como ‘leito’, em nossos arquivos”, destaca. Ou seja, os córregos e rios que foram canalizados ou cobertos pelas edificações das cidades e que já não são mais observados pelos habitantes constam na base de dados usada para produzir os mapas.
Em geral, aplica-se o termo rio a quaisquer cursos d’água, mas há outros termos que denotam a dimensão destes. “Técnica e cientificamente, o termo córrego é usado para os menores e os médios ribeirões, sendo chamados de rio apenas os de maior porte, e adotamos esses termos”, comenta.
A base de dados também apresenta a articulação dos rios entre sucessivas bacias. Por exemplo, o Ribeirão Mato Dentro, situado nos limites entre Embu das Artes e Cotia, pertence à cinco bacias hidrográficas: Ressaca, Embu Mirim, Guarapiranga/Embu-Guaçu, Pinheiros e Tietê. Também está indicada, para cada curso d’água, a pertinência às bacias oficiais delimitadas pela Lei 7633/91.
Na sua construção, também foram usados arquivos do acervo CEM sobre logradouros, distritos, rios, municípios etc; dados do Geosampa; textos e ilustrações em sites diversos como instituições ligadas à gestão dos recursos hídricos, como os da Sabesp, os do Departamento de Águas e Energia Elétrica do governo estadual de São Paulo (DAEE, sucedido pela agência reguladora SP Águas), os da Agência Nacional de Águas (ANA) e das prefeituras, além das imagens Google Maps.
Mapeamento dos sistemas produtores de água da Sabesp
As bases de dados sobre os cursos d'água e as superfícies hídricas incluem os principais sistemas de abastecimento de água da Sabesp, mesmo fora dos limites metropolitanos. “Dada sua importância para o abastecimento, foram incluídas as represas do Sistema Cantareira situadas fora dos contornos da RMSP”, afirma. Dos nove sistemas em operação, oito estão representados: Alto Cotia, Alto Tietê, Cantareira, Guarapiranga, Ribeirão da Estiva, Rio Claro, Rio Grande e São Lourenço.
Entre os dados coletados e inseridos nesta base estão aqueles relativos às represas, lagos e estações operacionais, totalizando 358 quilômetros quadrados de área. É possível também distinguir o conjunto dos cursos d'água, que são elementos naturais, dos aquedutos e canais de adução ou de interligação, elementos da ação antrópica. Foram inseridas, ainda, as estações de processamento de água.
Como fonte de dados para construção dessa base, foram usados textos e ilustrações em sites de instituições ligadas à gestão dos recursos hídricos, como a própria Sabesp, o DAEE, a ANA, as prefeituras, além das imagens do Google Maps e da GeoSampa. Metodologicamente, a base foi construída com base em arquivos do acervo CEM, com apoio do arquivo de setores censitários 2022 do IBGE.
Para a construção dessas três bases, foram levantados dados dos 39 municípios que fazem parte da RMSP: Arujá, Barueri, Biritiba Mirim, Caieiras, Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Diadema, Embu das Artes, Embu-Guaçu, Ferraz de Vasconcelos, Francisco Morato, Franco da Rocha, Guararema, Guarulhos, Itapecerica da Serra, Itapevi, Itaquaquecetuba, Jandira, Juquitiba, Mairiporã, Mauá, Mogi das Cruzes, Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Poá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Salesópolis, Santa Isabel, Santana de Parnaíba, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São Lourenço da Serra, a capital São Paulo, Suzano, Taboão da Serra, Vargem Grande Paulista.
Para acessar estas bases de dados, vá na página Download de Dados do site do CEM (https://centrodametropole.fflch.usp.br/pt-br/download-de-dados), selecione no menu à esquerda ‘Tipos’ o item ‘cartográfico’ e em ‘Temas’ o item ‘meio ambiente’. A seguir, vão aparecer todas as opções de bases dessa área. Basta selecionar os itens ‘bacias hidrográficas da RMSP 2025’, ‘cursos d’água da RMSP 2025’ e ‘superfícies hídricas da RMSP 2025’.
Sobre o CEM:
Criado em 2000, com início das atividades em 2001, o Centro de Estudos da Metrópole (CEM) é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Cepid-Fapesp) e, recentemente, também passou a ser um Centro de Pesquisa e Inovação Especial da Universidade de São Paulo (CEPIx-USP). O CEM reúne cientistas de várias instituições para realizar pesquisa avançada, difusão do conhecimento e transferência de tecnologia em Ciências Sociais, investigando temáticas relacionadas a desigualdades e à formulação de políticas públicas nas metrópoles contemporâneas. Sediado na Faculdade de Filosofia, Letras, Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) e no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), o CEM é constituído por um grupo multidisciplinar, que inclui pesquisadores demógrafos, cientistas políticos, sociólogos, geógrafos, economistas e antropólogos.
Janaína Simões
Assessoria de Comunicação e Difusão
Centro de Estudos da Metrópole (CEM-Cepid/Fapesp)
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